sábado, 30 de outubro de 2010
Dia do Saci
Somos Todos Sacys from Confraria Produções on Vimeo.
Sinopse: Sendo este mito a alegoria de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil.
Você já viu um Sacy? Acredita em Sacy? Como é o Sacy?
Por dois anos, os diretores desse documentário percorreram o interior de São Paulo formulando essas perguntas aos paulistas. Desse passeio encantado originou-se um filme lúdico e poético, tipicamente brasileiro, recheado de iconografias e desenhos, amparado numa pesquisa de tirar o fôlego.
Direção e roteiro: Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Montagem: Felippe Brauer, Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Animação: Érica Valle / Arte: Marcelo Comparini / Edição e Finalização: Felippe Braue r/ Locução: Tereza Freire / Produção de Campo: Jaime Soares / Músicas de: Batuque de Umbigada interpretado por Batuque de Tietê, Capivari e Piracicaba - Anecide Toledo, Duo Portal, Grupo Cachoeira!, Ivan Vilela, Kiko Carneiro, Gustavo Barbosa e Quarteto Perêrê
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Milágrimas
(não preciso mais escrever nada, o Itamar já disse tudo.)
em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza vire a mesa
coma só a sobremesa coma somente a cereja
jogue para cima faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
mas se apesar de banal
chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
(por: Alice Ruiz e Itamar Assumpção )
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Duas Namoradas
A música e a poesia
Que ocupam minhas noites
Que acabam com meus dias
Uma fala sem parar
A outra nunca desliga
Não consigo separar
Duvido d o dó que alguém consiga
Cantar é saber juntar
Melodia, ritmo e harmonia
Se eu tivesse que optar
Não sei qual eu escolheria
Tem vez que o caso é comigo
Tem vez que sou só sentinela
Xifópagas, caso antigo,
Tem vez que é só entre elas
Nenhum instante se deixam
Grudadas pelas costelas
Nenhum segundo me largam
Também eu não largo delas
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A peste escarlate
[...] A principio, quando só alguns desses germes entravam no corpo, o individuo não se dava conta. Mas cada germe se partia ao meio e virava dois, e fazia isso com tanta rapidez que, num intervalo curto de tempo havia milhões no organismo. Então o homem se encontrava enfermo. Sofria de uma doença e essa doença era batizada de acordo com o tipo de germe. Podia ser sarampo, gripe, febre amarela, ou qualquer um dos milhares de tipos existentes.
Agora, ai está o que é curioso em relação aos germes. Sempre apareciam novos no corpo do homem. Muitíssimo tempo atrás, quando existia pouca gente no mundo, não havia tantas doenças. Mas conforme as populações crescem e os homens passaram a morar mais próximos, em grandes cidades e civilizações, surgiram novas espécies de micróbios. Por isso, vários milhões e bilhões de seres humanos foram mortos. E, quanto mais aglomeradas as pessoas se encontram, mais terríveis eram as novas doenças. Bem antes da minha época, na idade média, teve a peste negra, que assolou a Europa. E assolou a Europa várias vezes. Teve a tuberculose, que aparecia sempre que os homens se encontravam apinhados demais. [...]
Foi no verão de 2013 que apareceu a peste. Eu estava com vinte e sete anos e me lembro bem. Os comunicados feitos por radiotelegrafia.
Parecia sério, mas nós, na Califórnia, como todos os demais, não estamos preocupados. A gente tinha certeza de que os bacteriologistas achariam uma maneira de vencer o novo germe, de mesmo modo como haviam vencido outros no passado. O problema era a rapidez alucinante com que o micróbio desmatava qualquer organismo humano em que penetrasse. Ninguém nunca se recuperava. Antes teve a cólera, em que você podia jantar com um homem sadio à noite, pela manhã, se acordasse cedo o bastante, vê-lo sendo levado pelo carro funerário. Só que nova epidemia era ainda mais rápida, muito mais rápida. A partir dos primeiros sintomas, o homem levava uma hora para morrer. Alguns duravam várias horas. E muitos morriam dez ou quinze minutos após o aparecimento dos sinais. [...]
O coração começava a bater mais rápido e a temperatura do corpo subia. Então vinha a erupção escarlate, espalhando-se a todo vapor. A maioria das pessoas não notava o aumento da temperatura nem a taquicardia e só se dava conta da doença quando a erupção escarlate sobrevinha. Em geral, sofriam convulsões na hora a erupção. Mas as convulsões não duravam muito e também não eram violentas demais. Quem sobrevivia a elas ficava então perfeitamente sereno e só notava uma insensibilidade subir com rapidez a partir dos pés. Primeiro, os calcanhares ficavam entorpecidos, depois as pernas, os quadris e, quando a insensibilidade atingia o coração, o doente morria. Não dormia nem delirava. A mente sempre se matinha tranqüila até o momento em que o coração parava. Outro fato curioso era a rapidez da decomposição. Tão logo a pessoa morria, o corpo parecia cair aos pedaços, reduzir-se ao pó, despencar a olhos vistos. Essa for uma das razões de a peste se espalhar com tamanha velocidade. Todos os bilhões de germe no cadáver se viam, assim, imediatamente livres. [...]
Jack London em “A Peste Escarlate”, 1912.
