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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

à .patrícia


Em celebração a nossa amiga e talentosíssima mecânica de guarda-chuva, Patrícia Galelli, que completa anos, vamos publicar um desenho inédito dessa jovem, além de textinhos inspirados nesse seu desenho e em outros coisas.
Aproveitamos a oportunidade para desculparmo-nos pela total improdutividade artística desses mecânicos aqui, o que tem deixado o blog a beira do abismo; e por isso o desenho também é providencial. 
Não será por falta de amigos e de ideias interessantes de deixaremos esse espaço aqui abandonado, pois a cada dia as coisas acabam-se e tornam a começar, estamos aqui para isso.

Felicidades à .patricia, com carinho.


 menina Pagu, musa trágica da revolução




A arte nos salva
de nós mesmos
meta cotidiano
meta dissonância

a arte no liberta
meta fuga
metade livre

a arte cria
o meta mundo

por: Davi Amorim



É lindo vê-la caindo
Sentindo a velocidade exponencial da gravidade
Tomando seu corpo dos pés à cabeça.
Tenho você nas mãos, contemplo adormecer e despertar
Mas não a possuo por completo,
Amargo-me e enfureço-me
Percebo que a única maneira de tê-la totalmente é perdendo-a
Sentir sua distância, sua falta, sua queda livre
Talvez em outros braços, em outro chão, em pedaços.

por: Romulo Brosco

sexta-feira, 13 de março de 2009

Desencontros que foram

Ausência
.patrícia
.
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O baralho cruzava as pernas outra vez. Desalinhava pêlos, reprimia fígado - desequilibrava na bacia do esqueleto. Era um frio de corroer o presente daquele inverno de antes – numa Rússia imaginada, vinda de uma noção pouco configurada de fuga. Congelava as ações e, num impulso maternal de se humanizar, a ação era jogar um lençol sobre as verdades.
“Quem era ele” pode ser a mania de disparidade para o que ele vem sendo. Ele não vem hoje.
Soube que sua vida se tornou a metáfora que o medo aflora para explicar suas vertígens. O medo é tão insano, tão vulnerável quanto critérios de julgamento sobre o que deve sair no jornal. Sinto falta daquela minha literatura, que era só discrepância pessoal, metidez, terapia. Mas que era nítida, um começo de possibilidades sem fim de finais, aos que tinham mesma ausência de grau que eu - não enxergávamos as mesmas coisas. Ele sente falta de mim.
Mas agora já foi.
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.
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Paciência
Gustav Trevisnk
.
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Então eu fico sentado, analisando as cartas em minha mão. A neve não para lá fora, mas a roda continua a girar aqui dentro.
Quando bate às 4 horas, todos os outros demais presos deixam suas filhas, seus filhos, suas mulheres, apenas para voltar a suas celas e esperar mais uma semana, olhando a parede, esperando pela oportunidade de ver a família outra vez.
Às 4 horas, ainda estou sentado, olhando para o relógio na parede, os próprios guardas olham para nosso seleto e pequeno grupo, balançando a cabeça em um tom de negação e sinto, no fundo. De consolação, entrego o baralho. Os outros três detentos que não tem familia se retiram para suas celas, e ficam olhando para a parede. Apenas esperando, uma semana, sem dizer nada, sem sair da cela com o sonho infantil de que alguém virá na próxima semana. Seus filhos, sua mulher, e até seus pais.
Mas, no fundo, todos querem apenas mais uma partida de baralho.
Eu passo todo esse tempo lendo o que me trazem da biblioteca, sempre rezando (todas as semanas), para me entregarem algo que não seja mais um manual de contabilidade, ou algum livro didático sobre matemática aplicada. Passamos a maior parte do dia em nossas celas, sem nos comunicar, saindo apenas de manhã para exercitar, e praticar algum esporte. O resto do tempo é apenas armaguriante espera que, com sorte, vai durar mais alguns anos.
Um dia conheci um preso que passava a maior parte do tempo pintando desenhos em sua parede, apenas com uma tinta vermelha que ele tirava do uniforme. Tive a oportunidade de checar as pequenas obras primas de meu camarada, antes dele ser mandado para a forca. Eram desenhos de tamanho médio, dragões e outros bichos mitológicos, indentifiquei até o que seria a baba yaga na parede fumando um cachimbo e montada em um almofariz. Temendo fitar os descontentes olhos da senhora, ouvi apenas o sussurro vindo de sua boca sem dentes, no qual eu apenas podia entender.
Que seria o próximo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Poço

o que procurei no teu ponto negro?
- o tédio, que deveras
existia.

tédio que continuo vomitando,
sobre a cidade,
sobre o pássaro,
sobre a descrença

e a presença do teu desamor desatou
num só instante,

não cabe aqui,
não cabe em nada que existe,
pois nada existe.

como o amor que deveria ter causado,
sentido,
insistido.

Nem a insistência existe.

A verdade é a recusa,
o não feito,
o desfeito,
o caos
e
a lama.

teu ponto negro é um nó,
que se desfaz em minha liberdade.
que me arremessa numa paisagem amena,
de cores e findas dores.
Então me sepulto sem dor e acordado
no túmulo da tua boca.


.patrícia e Volmir M. G.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ladrilhos


imagem: .patrícia

em ladrilhos, visto uma pele sem perfume.
de sonhar já lembro pouco.
um a um. os ladrilhos formam a estrutura que esconde.

veias.ossos.tecidos.sangue.

vertigem óptica. delírio infame.
em ladrilhos. me formo.
e me arrebento.

sem cimento. sem pilares.
pronta para tirar um. meio. e descobrir
mais um tanto de nadas.

e um punhado de meus ossos.

os poros, os ladrilhos. Esse
frio e meu rosto. o lobo manso
da desordem. a construção
sem rumo de meu corpo.

a epiderme. os olhos
da mente e os dedos.
esse território de soluços
e espantos.

meu espírito
sobre a faca das estruturas
temporais.

vestindo o doce escondido, internamente,
nas estátuas de sal.
procuro sorrir o que teu sorriso me faz.
se chorar, só
lágrimas de soro caseiro.
que deslizam
nessa valeta angustiada - verde, lilás - delirante.
nenhum ladrilho mais.
me desfaço no sangue.
seguindo as veias de fio de cobre.
o pobre nervo de aço, quebrado.
o mesmo jeito dos ossos, desarrumados.
desajeitada assim, eu sigo - sempre
para me sorrir, ao te ver sorrir.

e sangrar como um sol
e uma faca acesa. Como
os poros e esse afeto.
o terreno comum
de nossos antebraços
e os dentes azuis
da vida
caindo agressivamente
sobre nossas costas
assinando nosso
nome e destino.

me reviro. olhos.
língua e sonho.
nossa carne
estendida
sobre o horizonte
do jardim de casa.

não vejo. os olhos rolaram a ladeira.
aceitei a conduta.
refiz o trajeto do sangue.
voei pelos espaços estreitos dos cílios.
fui em busca do teu olhar. porque não vejo.
carne. pele. sangue. flor sem hálito e destino.
caminho. rastejando pelo caminho.
procurando regar o que ainda pode nascer
deste resto de corpo.

o que ainda nascerá desse ventre comum
nossa palavra doce escondida nas pálpebras
da manhã levemente desperta
teus braços sobre o sonho
e nossa visão queimando as horas
dentro do quarto

o silêncio e esse tempo morto
agonizando como um bicho baleado
sobre o asfalto e debaixo do sol
como um cavalo sem pernas

rumando para a próxima estação

velozmente.

carregando uma criança sem data
e as risadas do povo cobrindo
sua pele. uma ressurreição.




***


.patrícia e josé menin

sábado, 1 de setembro de 2007

umdois - sem título

caminho com os pés suspensos sobre as flores. eu vou junto
com o sonho desta noite

quando acordei e vi que o dia tinha acabado e levado suas dores. eu te falava como as ruas se dobram sobre as vozes

e como é bom ir por aí sem destino e com alguém.
fico cantando as letras que sonhei e vejo o teu rosto

repousando no horizonte. eu só espero o afeto
e o útero. a manhã bonita colada ao teu sorriso.

eu tento. é que quando eu conheço alguém quero

viver mil histórias sem dor.

[José Menin]
.
***
então.
vesti teu sorriso só para não me perder destes teus mundinhos.
na dobra do silêncio que o caminho cantou.
uma rua tranqüila para criar estrelas perdidas.

uma.
sete.
duzentas.
mil e poucas.

a refletir os espinhos que teus pés não pisam
e unir a luz destes prismas atrapalhados às
mil histórias desconhecidas - a se inventar.

[Patrícia Galelli]
.
***
[e hasta novas parcerias. e (des) conhecimento. outroumbeijo.]
[umas parcerias que não conheço. nem tu. mas que são de graça. e valiosas.]

sábado, 25 de agosto de 2007

Ah....

O Câncer me beijou
Foi bom, é bom a “dor”
Descontrole
Células em pane

O desejo me invadiu a mente
Foi bem quando a fumaça
Invadiu meu peito.
Desejos insensatos...
Coração em cinzas.

Boca, vento, doente....
Lábios, células dementes
Cinza, sangue, sente?
Ah se Jesus me visse
Acenderia minha mente

A mente agora roda
Em virtude da morbidec da alma
Células mórbidas...
Mente demente
Que tenta em vão enganar
O que o coração realmente sente





Por: red foot e Thania Daise
Ilustração: linda tela da Galelli




sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Para O El Desdichado III


No espaço sideral, Na minha casa,
onde os delíquios acontecem, Desfalecem esperanças nunca vistas
sem aumentar o PIB da nação, Sem diminuir a fome
anuncio a boa nova, As novas normas do futuro

Perfurar uma parede, Acertar o coração
acontecer um naufrágio, Uma luta de classes falidas
que todos morrem, que todos desistem
e sobrevivemos alguns poetas, Vendemos nossos filhos e alguns pesadelos

Ter o que contar, Faltar o que beber
fazer acontecer, Mas não pagar pra ver
Pintar um sol de preto, Apagar todos os sonhos com a imensa borracha do MUNDO
pra que todos acordem finalmente, Para o grande fim da humanidade
O amarelo já causou muito tédio, O verde atiçou ambições...

Precisamos do terremoto para limpeza. A limpeza para a alegria.
A catástrofe que varra as ruas, E leve a imundice de nossas vidas
as mentes, os crentes
os corações, as falsas orações
a beleza de quem amo, O amor que sempre quis entender

Uma intimidade que toque, Que emocione
mais pra lá do longe, Mais, um distante a mais
muito mais que esse tanto partilhado – Errado.

O vulcão tomará palavras de minha boca, Que não beijará mais nenhuma outra
Descerá a melancolia, Para zombar da minha vida
e tudo terá um fim, Um começo ao contrário
para um novo início, Em algum calendário do século passado

Embora a tristeza, Sempre a mesma – Sem certezas
a revolução das letras assombram – Assustadas arregalam o olhar
gritam-me alucinadas. Alucinam-me. Fazem-me junto gritar:
Verso precisa ordenar! Eu preciso em versos contar!
Verso quer ser imperador! Eu preciso livrar quem eu amo da dor!


Volmir M. G. - .patrícia
°°°

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Trem das 9:47


"Eu passei por você sem que pudesse vê-la, só depois vim descobrir...
Foi seu último dia, só depois consegui entender...
Eu passei pela vida sem deixar rastro algum,
por andar rápido demais, desaprendi a acordar"


Eu passei pela vida sem deixar rastro algum,
Por pegar sempre o trem errado, num terminal que nunca existiu
Eu passei por você sem que pudesse vê-lo, só depois vim descobrir...
Foi seu último dia, antes de eu partir,
Só agora consegui entender...
Vivi num sonho, mas nunca aprendi a sonhar.


(Rômulo - Patrícia- 9:47)