domingo, 3 de fevereiro de 2013
Outro mesmo amor
...Ele vê o corpo de sua nova amante, que se levanta da cama; ela está de pé, exibe seu corpo de costas, as grandes coxas cobertas de celulite; a celulite o encanta como se expressasse a vitalidade de uma pele que ondula, que vibra, que fala, que canta, que estremece, que se exibe; quando ela se inclina para pegar o penhoar jogado no chão, ele não consegue se controlar e nu, deitado na cama, acaricia essas nádegas magnificamente redondas, apalpa essa carne monumental, abundante, cuja generosa prodigalidade o consola e acalma. Um sentimento de paz o invade: pela primeira vez na vida, a sexualidade não envolve nenhum perigo, nenhum conflito ou drama, nenhuma perseguição, nenhuma culpa, nenhuma preocupação; ele não tem que se ocupar de nada, é o amor que se ocupa dele, o amor como ele desejou e que ele nunca teve: amor-repouso; amor-deserção; amor-despreocupação; amor-insignificância...
Extraído do livro "A Ignorância" de Milan Kundera,
e dedicado à Wagner Almeida, a quem tanto admiro
e compartilho pensamentos.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Desprezado bilhete de amor
(ou, como o amor é piegas)
sábado, 11 de agosto de 2012
Memória e dor
sábado, 21 de abril de 2012
na cabeça do tempo - 2
Clarícias
Clarice e eu somos a favor do medo
andamos nas calçadas pelo lado de dentro
mas tu e eu temos muito tempo
e a pela abandonada ao lençol..
eu uso o teu beijo no meu ombro esquerdo
saudades do meu bem que não sabe usar meias
os teus nos meus e minhas, na selvageria...
RESPIRAR ESPERAR VOCÊ DÁ FOME
UM 38 NA CABEÇA DO TEMPO
CASO OS RELÓGIOS SE ATRASEM
Camas e vidas bagunçadas e a pela abandonada ao lençol
saudades do meu bem que não sabe usar meias
saudades do meu bem..
RESPIRAR ESPERAR VOCÊ DÁ FOME
UM 38 NA CABEÇA DO TEMPO
CASO OS RELÓGIOS SE ATRASEM
E O SÁBADO NÃO CHEGUE LOGO
COM VOCÊ...
Música Renata: Swoboda e Patrícia Galelli
Para quem quiser ouvir mais Renata Swoboda: www.renataswoboda.com
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Mãos para ver - ou como desenhar o invisível
Em novembro do ano passado, escrevi uma reportagem sobre a pesquisa da ilustradora Márcia Cardeal para o jornal de cultura Ô CATARINA!, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC). A pesquisa virou uma mostra que ainda circula por Santa Catarina. Agora consegui as páginas em JPG e resolvi compartilhar aqui com todos que não tiveram acesso ao impresso.
Vale a pena conferir!
Espero que fiquem tão encantados com este trabalho como eu fiquei.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Adoniran
Antes de mais nada, é um dos maiores letristas da Música Popular, o que no Brasil não quer dizer pouco.
Mas algumas análises sobre a obra do Rubinato incomodam.
Identificar Édipo em "Trem das Onze" é tão tolo, que basta dizer isso. "Trem das Onze" é uma das canções que mais brasileiros sabem de cor. Em qualquer lugar que você esteja, todo mundo canta. Ara, quem não tem momentos de amor prejudicados pelas obrigações do dia-a-dia?
Há outra análise, menos estreita, que também não compartilho: de que há legalismo no Adoniran.
O conformismo que às vezes vemos nos muitos personagens que ele cria não é legalismo, mas um certo realismo. Assim como o desprovido tem que se conformar com o raio que cai na sua casa em noite de tempestade, ele também se conforma com a pata cruel do estado e da sociedade que derruba seu barraco.
"oh oh oh oh oh meu senhor / é uma ordem superior" (*)
A relativização do direito de propriedade é recente e ainda insuficiente. A injustiça da ordem superior, baseada em conceito estreito de propriedade, é raio estatal que destrói a vida do desprovido.
Na definitiva "Saudosa Maloca", esse realismo é mostrado pela composição dos três personagens. Nela sim tem um legalista, simplista, "os home ta com a razão"; mas tem também um revolucionário, que quer gritar; e um religioso, que é a última palavra, "Deus dá o frio conforme o cobertor". E, nessa última palavra de fé, está a grande construção do realismo do Adoniran: pra maioria dos ferrados a religião é só o que resta.
João Rubinato não faz a música do "dever ser", mas a do "ser". Nos nossos dias, talvez Adoniran contasse sobre os movimentos sociais que existem e obtêm avanços. Seria bom tê-lo hoje como compositor.
(**)
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(*) Despejo na favela
(**) João Rubinato é o nome de Adoniran Barbosa. Uso pra evitar a repetição, truque estreito de escrevinhador barato.
domingo, 25 de março de 2012
na cabeça do tempo
(das coisas que tenho escrito: uma letra musicada por Renata Swoboda, que a intitulou 'clarícias'.
das coisas que tenho visto: um lustre que fotografei numa pousadinha em São Francisco do Sul-SC.
das coisas que tenho sentido: saudades de davi e rômulo, esses mecãnicos de guarda-chuva.)
Clarice e eu somos a favor do medo
andamos pelo 'lado de dentro das calçadas'
você e eu esperamos muito tempo
guaraná no chão do hotel, camas e vidas bagunçadas
e a pele abandonada ao lençol
saudades do meu bem
que não sabe usar meias
na chuva, na linha do ônibus errado
os teus nos meus e nas minhas
na chuva, na linha do ônibus errado
respirar, esperar você dá fome
um 38 na cabeça do tempo
caso os relógios atrasem
respirar, esperar você dá fome
um 38 na cabeça do tempo
caso os relógios atrasem
e o sábado não chegue logo
com você.
(Patrícia Galelli)
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Mentira
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Carta aos leitores
Nem mesmo a literatura é capaz de suster tanta
paixão que faz vibrar o leito e o seio e os
recônditos lugares a dizer: eu, eu, eu ou outro
nome qualquer que me arraste úmida
menstruada e inutilmente repetindo as
esquivas figuras da véspera. Mais uma
vez me reclino bêbada sobre os teus
órgãos delicados. As palavras escorrem
como líquidos lubrificando as passagens
ressentidas. Murmúrios sofridos: nunca
te senti tão longe, nunca gritei assim por
ti, nunca o teu corpo coube assim no
meu. Murmuro nome e corpos e
conheço a tristeza deste erotismo
abandonado entre as sequelas de uma
rede. Rabisco meus órgãos, recupero a
fêmea entre sílabas, o varão
despido do varonil apreço mas
não verto tua presença
menstruo tua presença
ao fim do dia. Que
este sangue recubra o
doce álcool que me
distrai. Pérfida esqueço
teus gracejos. Mas qual.
Estes passos ainda percorrem
minha espinha, mesmo que
virgem te aguarde semi
aberta.
domingo, 13 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Na parede da lata vazia de cerveja
Penso que beber cerveja é perda de tempo e de. Penso que é só perda de tempo, e que o ganho não é a verdade que sai ou a que entra, mas a verdade que existe no instante, só. E depois passa. Verdades sempre passam.
Cinco latas de cerveja descansam ao lado do guarda-roupa. Esperam a hora da morte. O ápice da existência são os minutinhos que antecedem a morte – vou assassiná-las daqui a sete e despudoradamente jogarei seus corpos de alumínio numa sacola de supermercado, e intencionalmente as abandonarei em frente a minha casa. Penso que mais próximo local do crime, menor suspeita.
Cinco latas de cerveja estão vazias e vão morrer. Só cinco, são o suficiente para as memórias que irão grudadas à ausência de seus interiores. Só isso. Só.
Cinco é um número que não gosto. É por isso que o assassinato não me comove muito. A vida das latas vazias de cerveja é assim mesmo. No carnaval elas são dizimadas, usadas e depois pisadas, depois não têm enterro nem nada. As gentes desatentas da felicidade que bebem só carregam as memórias do que viveram porque esquecem de grudá-las dentro do vazio das latinhas. Memórias são coisas que não se guarda, li no “Vazio da Existência”.
E depois da ressaquinha de nada, tudo continua como se nada nada nada tivesse acontecido. Não lembro de nada. Do que mesmo eu estava falando?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
à .patrícia
Sentindo a velocidade exponencial da gravidade
Tomando seu corpo dos pés à cabeça.
Tenho você nas mãos, contemplo adormecer e despertar
Mas não a possuo por completo,
Amargo-me e enfureço-me
Percebo que a única maneira de tê-la totalmente é perdendo-a
Sentir sua distância, sua falta, sua queda livre
Talvez em outros braços, em outro chão, em pedaços.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Eu vi o saci!
-Parecia até troça...mas o que ele disse, eu nunca mais esqueci.
E viva o Saci!
por: Jamile Mileipe
sábado, 30 de outubro de 2010
Dia do Saci
Somos Todos Sacys from Confraria Produções on Vimeo.
Sinopse: Sendo este mito a alegoria de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil.
Você já viu um Sacy? Acredita em Sacy? Como é o Sacy?
Por dois anos, os diretores desse documentário percorreram o interior de São Paulo formulando essas perguntas aos paulistas. Desse passeio encantado originou-se um filme lúdico e poético, tipicamente brasileiro, recheado de iconografias e desenhos, amparado numa pesquisa de tirar o fôlego.
Direção e roteiro: Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Montagem: Felippe Brauer, Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Animação: Érica Valle / Arte: Marcelo Comparini / Edição e Finalização: Felippe Braue r/ Locução: Tereza Freire / Produção de Campo: Jaime Soares / Músicas de: Batuque de Umbigada interpretado por Batuque de Tietê, Capivari e Piracicaba - Anecide Toledo, Duo Portal, Grupo Cachoeira!, Ivan Vilela, Kiko Carneiro, Gustavo Barbosa e Quarteto Perêrê
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Outras vertigens
foto: .patrícia galelliEspetáculo: Pequenas incisões para quem ama - Carretel Cia Teatral
Não há nada aqui. Nem em mim. Respiro a melancolia do suspirinho. Sei que atrasei e que não tem mais como alcançá-la. Ando meio sei lá, sem nada. Querendo alguém, me tire desse lugar, dela, de nós. Nos deixe cinza como somos, nos deixe apenas ser, sorrisos, medos, azulejo falso, Argentina em dezembro. Intactos, e olhar a lua quase não será uma aberração desenhada de giz de alma hipocondríaca. Iluminuras não servem. Esquizofrênicos observam. Pontes ao espaço que não vive no mundo “amendoíndico” da solidão - planeta japonês. O mundo está voltado para um “dentro” que não alcanço, nem como.
Alguém já deve ter falado de buraco meio ao peito, não é vala que dá prazer, não é sexo, não é nem negação. É periódico sistema de internação imediata. Sintomas: vômito contido, dor de cabeça contida, fala que não sai, fígado bem cozido, em contenção – o doutor não soube explicar.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
poetice virtual
agora
as flores nascem
sob o sol manso
da desordem
e algumas freiras
derramam perfume
em meus olhos
agora
o delirio
me consome
como uma oracao
blasfema
. patrícia diz:
agora
é pó que a chuva
secou
e ar que não
transpassa a
violência da
rotina
ontem é muito longe daqui diz:
aves do desatino
roendo os ombros
da seriedade
no ritmo dos dias
carbonizados pelo tedio
. patrícia diz:
o único pecado.
ontem é muito longe daqui diz:
(copia isso)
ontem é muito longe daqui diz:
?)
.patrícia e José Menin
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Ultimas Palavras de José Saramago
Quantos Haitis?
Por José Saramago, presente!No Dia de Todos os Santos de 1755 Lisboa foi Haiti. A terra tremeu quando faltavam poucos minutos para as dez da manhã. As igrejas estavam repletas de fiéis, os sermões e as missas no auge… Depois do primeiro abalo, cuja magnitude os geólogos calculam hoje ter atingido o grau 9 na escala de Richter, as réplicas, também elas de grande potência destrutiva, prolongaram-se pela eternidade de duas horas e meia, deixando 85% das construções da cidade reduzidas a escombros. Segundo testemunhos da época, a altura da vaga do tsunami resultante do sismo foi de vinte metros, causando 600 vítimas mortais entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Os incêndios durariam cinco dias. Os grandes edifícios, palácios, conventos, recheados de riquezas artísticas, bibliotecas, galerias de pinturas, o teatro da ópera recentemente inaugurado, que, melhor ou pior, haviam aguentado os primeiros embates do terramoto, foram devorados pelo fogo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. Conta-se que à pergunta inevitável “E agora, que fazer?”, o secretário de Estrangeiros Sebastião José de Carvalho e Melo, que mais tarde viria a ser nomeado primeiro-ministro, teria respondido “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos”. Estas palavras, que logo entraram na História, foram efectivamente pronunciadas, mas não por ele. Disse-as um oficial superior do exército, desta maneira espoliado do seu haver, como tantas vezes acontece, em favor de alguém mais poderoso.
A enterrar os seus cento e vinte mil ou mais mortos anda agora o Haiti, enquanto a comunidade internacional se esforça por acudir aos vivos, no meio do caos e da desorganização múltipla de um país que mesmo antes do sismo, desde gerações, já se encontrava em estado de catástrofe lenta, de calamidade permanente. Lisboa foi reconstruída, o Haiti também o será. A questão, no que toca ao Haiti, reside em como se há-de reconstruir eficazmente a comunidade do seu povo, reduzido não só à mais extrema das pobrezas como historicamente alheio a um sentimento de consciência nacional que lhe permitisse alcançar por si mesmo, com tempo e com trabalho, um grau razoável de homogeneidade social. De todo o mundo, de distintas proveniências, milhões e milhões de euros e de dólares estão sendo encaminhados para o Haiti. Os abastecimentos começaram a chegar a uma ilha onde tudo faltava, fosse porque se perdeu no terramoto, fosse porque nunca lá existiu. Como por acção de uma divindade particular, os bairros ricos, em comparação com o resto da cidade de Porto Príncipe, foram pouco afectados pelo sismo. Diz-se, e à vista do que aconteceu no Haiti parece certo, que os desígnios de Deus são inescrutáveis. Em Lisboa as orações dos fiéis não puderam impedir que o tecto e e os muros das igrejas lhes caíssem em cima e os esmagassem. No Haiti, nem mesmo a simples gratidão por haverem salvo vidas e bens sem nada terem feito para isso, moveu os corações dos ricos a acudir à desgraça de milhões de homens e mulheres que não podem sequer presumir do nome unificador de compatriotas porque pertencem ao mais ínfimo da escala social, aos não-ser, aos vivos que sempre estiveram mortos porque a vida plena lhes foi negada, escravos que foram de senhores, escravos que são da necessidade. Não há notícia de que um único haitiano rico tenha aberto os cordões ou aliviado as suas contas bancárias para socorrer os sinistrados. O coração do rico é a chave do seu cofre-forte.
Haverá outros terramotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenómenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais. Não será para amanhã, podemos viver e morrer tranquilos. Mas, di-lo quem sabe, as sete eras glaciais por que o planeta passou até hoje não foram as únicas, outras haverá. Entretanto, olhemos para este Haiti e para os outros mil Haitis que existem no mundo, não só para aqueles que praticamente estão sentados em cima de instáveis falhas tectónicas para as quais não se vê solução possível, mas também para os que vivem no fio da navalha da fome, da falta de assistência sanitária, da ausência de uma instrução pública satisfatória, onde os factores propícios ao desenvolvimento são praticamente nulos e os conflitos armados, as guerras entre etnias separadas por diferenças religiosas ou por rancores históricos cuja origem acabou por se perder da memória em muitos casos, mas que os interesses de agora se obstinam em alimentar. O antigo colonialismo não desapareceu, multiplicou-se numa diversidade de versões locais, e não são poucos os casos em que os seus herdeiros imediatos foram as próprias elites locais, antigos guerrilheiros transformados em novos exploradores do seu povo, a mesma cobiça, a crueldade de sempre. Esses são os Haitis que há que salvar. Há quem diga que a crise económica veio corrigir o rumo suicida da humanidade. Não estou muito certo disso, mas ao menos que a lição do Haiti possa aproveitar-nos a todos. Os mortos de Porto Príncipe foram fazer companhia aos mortos de Lisboa. Já não podemos fazer nada por eles. Agora, como sempre, a nossa obrigação é cuidar dos vivos.
em: http://caderno.josesaramago.org/2010/02/08/quantos-haitis/
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Ponto

imagem: .patrícia
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Cinema francês e unhas vermelhas

Encontrei ela na saleta verde dos humanos não-praticantes. Idade: 21. Se queixava das palavras que não viravam ações dignas num contexto, se deixava levar por ideias do tipo “pra onde ele foi?”, levava o tranquilo do mundo para onde quisesse com aquele sorriso de braços abertos. É amiga da Fernanda, da Carol, da Maysa. Tem um cachorro que não sei o nome. Lembro de como fazia bico pra fazer foto - cara quebrada em frente ao espelho. Ou o espelho rabiscado pela tinta de algum ato violento.
O que sabia, o tempo não cura tudo. Uma fotografia apaziguada com o sol – reflexo do que pensava. A menina era assim e também não tinha nome, por causa da instabilidade emocional da mãe, explicava aos amigos. Detalhes, cinema francês e unhas vermelhas. Uma solidão multicolorida nos lençóis.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Centro da Periferia e a Periferia do centro
Cravada no centro da cidade de São Paulo a Baixada do Glicério é um paradoxo moderno, a personificação da periferia no centro de uma das cidades mais ricas do mundo, a cidade de São Paulo, que é considerada hiper-cidade mesmo que localizada na periferia do mundo.
Situada próximo aos valorizados bairros da Liberdade, Aclimação e Cambuci, a Baixada do Glicério é considerada uma das regiões mais inseguras da cidade na avaliação de seus próprios moradores. Em suas casas co-habitam diferentes personagens e realidades que compõem, na visão do Estado, um problema crônico, onde estão concentrados dezenas de cortiços e moradias populares precárias, além de ser cortada por vários viadutos onde se concentram pessoas em situação de rua que tem a subsistência baseada na atividade do centro de São Paulo.
Há planejamento do poder público municipal de revitalizar a região, um plano que vem sendo desenvolvido desde meados de 2005, mas que foi criado ainda no Governo da ex-prefeita Marta Suplicy com a assinatura de empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o “embelezamento” do centro histórico de São Paulo. A esse “embelezamento” dá-se o nome de gentrificação[i], conceito que vem sendo usado por urbanistas de todo o mundo e propõem a valorização dos centros urbanos e sua abertura ao grande capital.
Chama-se gentrificação (um neologismo que ainda não consta dos dicionários de português) ou enobrecimento urbano, de acordo com algumas traduções, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que ocorre, com ou sem intervenção governamental, nas mais variadas cidades do mundo. O enobrecimento urbano, ou gentrification, diz respeito à expulsão de moradores tradicionais, que pertencem a classes sociais menos favorecidas, de espaços urbanos e que subitamente sofrem uma intervenção urbana (com ou sem auxílio governamental) que provoca sua valorização imobiliária.[ii][iii]
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Esse processo de higienização[iv] ou limpeza social pode ser identificado na própria história da formação da Baixada do Glicério. No início do século XX trabalhadores negros e pobres foram expulsos dos cortiços localizados no centro histórico, tendo sido deslocados para a periferia da cidade de São Paulo que na época eram as regiões da Barra Funda, Pari e Glicério. Deste modo, verifica-se hoje seguidos processos de higienização, através dos quais o poder econômico expande seus domínios territoriais em função de um projeto de mercado.
Habitado inicialmente por imigrantes pobres, o Glicério, uma típica vila operária, começou a receber no meio do século passado a migração de trabalhadores do nordeste que contribuirão para o desenvolvimento da cidade até os dias de hoje, configurando ainda mais as diversidades do bairro.#
Nas décadas de
A proximidade do Centro e a grande mobilidade social, contudo, com a permanente chegada e partida de migrantes do nordeste, fez surgirem recentemente novas modalidades de comércio, como o de móveis usados e o de artigos de caráter religioso, graças à presença de igrejas evangélicas. Bares e restaurantes 24 horas, as novas estações do Metrô, forrós e o comércio de camelôs nos finais de semana, movimentam hoje a vida no Glicério.[v]
José Guilherme Cantor Magnani discute no texto “Transformações na cultura urbana das grandes metrópoles”[vi] as dimensões e complexidades presentes no modo de vida nos grandes centros urbanos. Magnani aponta duas leituras do fenômeno de transformação em curso nas grandes metrópoles: a primeira enfatiza o caráter desagregador do processo baseada em dados sociológicos, econômicos e demográficos que apontam “o colapso do sistema de transporte, as deficiências do saneamento básico, a falta de moradia, a concentração e má distribuição dos equipamentos, poluição, violência, subemprego”, leitura muito aplicada a cidades do terceiro mundo, e compreende que o crescimento desordenado dessas cidades tende a produzir o caos urbano (Magnani, in Moreira, 1998). A outra visão, apontada por semiólogos e críticos pós-modernos, é a da cidade mágica e cósmica repleta de pontos de encontros virtuais, o que inviabilizaria a própria função do espaço cidade assim como as formas de comunicação e sociabilidade fruto do capitalismo tardio.
Nas duas leituras citadas Magnani aponta para conclusões semelhantes quanto a “deterioração dos espaços e equipamento públicos, com a conseqüente privatização da vida coletiva, segregação, evitação de contatos face a face, confinamento em ambientes e redes sociais restritos.”
São Paulo é hoje, segundo a concepção de Teresa Pires do Rio Caldeira, uma cidade de muros. Protegidos por grades, portões e muros os habitantes das cidades têm constantemente suas vidas e hábitos alterados, fruto da “tensão, separação, discriminação, e suspeição (que) são as novas marcas da vida pública”(Caldeiras).
Tais mudanças na configuração dos grandes centros urbanos, e em particular o centro da cidade de São Paulo, nos remete à sua construção social histórica e o impacto desse desenvolvimento sobre o plano cultural urbano e identidade pessoal de seus habitantes.
[...] A ascensão social esteve disponível para um grupo da população, para um grupo de imigrantes italianos, espanhóis, alemães, japoneses, judeus e árabes... A partir da década de 80 as possibilidades de ascensão social se reduziram muito, então se você nasce rico você tem mais condições de permanecer rico, se você nasce pobre você tem muito pouca possibilidade de ascensão social. Por outro lado, os pobres brasileiros, negros ou de origem indígena, esses sempre foram privados de ascensão social mesmo quando São Paulo era uma terra de oportunidades.[vii]
Os moradores do Glicério são parte de um anexo esquecido do centro de São Paulo que concentra cerca de 90 mil pessoas, mas apenas 160 vagas de pré-escola. Não é difícil presenciar crianças disputando um lugar entre as ruas e a calçada em busca de espaço para crescer um pouco melhor. O último levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, de 2005, estima cerca de 380 crianças vivendo em situação de rua só no centro de São Paulo. No Glicério elas têm nas calçadas e ruas de pouco movimento seus playgrounds; no entanto, a maioria vive trancada em suas casas.
Centenas de moradores em situação de rua convivem no Glicério, local de refúgio para muitos, como é o caso da Associação Minha Rua Minha Casa, que oferece banho, alimentação e atividades educativas aos moradores de rua, onde também é possível guardar documentos e algum dinheiro em pastas cadastradas pela entidade. Ao contrário do que em geral se pensa, a maior parte das pessoas em situação de rua exerce algum tipo de atividade remunerada, sendo apenas uma pequena parcela os que vivem realmente como pedintes. Foi o que revelou o recente estudo da UNESCO que pesquisou cidades em todo o Brasil e concluiu que 70,9% dos moradores de rua exercem atividade remunerada. “São atividades como as de catador de materiais recicláveis, os chamados guardadores de carros nas ruas, empregado de construção civil e de limpeza ou como ajudante de embarque de carga nos portos brasileiros.” (Agência Estado) É comum observarmos as feiras de trocas ou “feiras do rolo” da população de rua. Nesses espaços são comercializados e trocados roupas e objetos pessoais.
Outro fenômeno que salta aos olhos é o tráfico de drogas, que ocupa cortiços e viadutos e abastece as classes média e alta de São Paulo por sua localização. O tráfico, assim como nas periferias distantes, impõe suas próprias regras e parece ser um mal enraizado, parte do próprio sistema. “Foi no Glicério que Marcos Willians Herbas-Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), começou a ficar famoso. Morava lá e era trombadinha na Sé, aos nove anos. Dizem que era muito inteligente. Agora está preso”[viii] E é o PCC que toma conta da região, local onde seu líder maior cresceu entre os cortiços e onde sua família vive ainda hoje.
Há espaço ainda para a manifestação religiosa:
A Baixada do Glicério também convive com o poder espiritual. Subindo uma ladeira, chega-se a pé à católica Catedral da Sé, no marco zero da cidade. No lado oposto, o missionário David Martins Miranda exibe a igreja pentecostal Deus é Amor, o “maior templo do Brasil”, que no dia da inauguração, em 2004, abrigou 200 mil pessoas. Na Rua do Glicério está a Igreja Nossa Senhora da Paz. Quarteirão acima, a Igreja Presbiteriana Han In, sem imponência e quase sempre fechada. Na Tabatinguera, modesta igrejinha anuncia para 12 de agosto a festa de Nossa Senhora da Cabeça. Numa vila que se desprende da Travessa dos Estudantes - calçadas bem-varridas com marcas de giz para o jogo de amarelinha -, Zé Pilintra e Maria Padilha revelam o futuro e reconciliam casais com jogo de búzios e baralho cigano. (Gil Giardelli)
No Glicério são dezenas as organizações não-governamentais, o que podemos chamar aqui de uma mancha do assistencialismo na cidade de São Paulo, assim como é uma mancha da pobreza, seguindo a categorização de José Magnani. É no Glicério que se observa um fenômeno de final de ano em que o número de barracas sobre as calçadas e próximas ao viaduto do Glicério crescem assustadoramente. Sabe-se que grande parte dessas pessoas vem das periferias, esses distantes do centro, e acampam nas ruas do Glicério buscando doações que vem dos carros que passam. É na época de final de ano que as pessoas são tocadas por um espírito de “solidariedade” e param seus carros para doar aquilo que não lhes serve. Já é costume e a população pobre já o sabe, disposta a migrar para o centro para receberem os donativos.
Outra grande concentração característica do Glicério são os catadores de materiais recicláveis, que existem em grande quantidade por toda a região. Sujeitos até então invisíveis, movimentam uma economia significativa por um lado para os empresários do setor de reciclagem e, por outro, para a própria cidade e poder público, uma vez que limpam a cidade destinando para a reciclagem grande parte do que é descartado e que a Prefeitura pagaria para ser levado a um aterro sanitário. Mesmo realizando um grande serviço para o município de forma gratuita, as condições de trabalho dessas pessoas é terrivelmente degradante. Sem local para desenvolverem a atividade adequadamente, as centenas de catadores se espremem sob o viaduto do Glicério e regiões vizinhas, convivendo diariamente com problemas como a falta de banheiros e água, o que agrava ainda mais a situação dessas pessoas. A falta de creches faz com que muitas crianças sejam levadas ao trabalho, de modo que é comum a permanência de crianças em meio ao lixo.
A Baixada do Glicério reúne cerca de dois mil catadores que coletam materiais por toda a região central. A maior parte é de origem nordestina, e é comum encontrar paulistanos que dizem serem filhos e netos de catadores: são gerações seguidas vivendo daquilo que a sociedade joga fora. A imensa maioria dessas pessoas não mora nas ruas e sustenta as famílias com a renda adquirida com o lixo, valor que pode chegar a até 900 reais mensais. No entanto, as jornadas de trabalho são longas e cansativas.
Uma parte dos trabalhadores está organizada. São quatro grupos de catadores que trabalham no sistema cooperativista e com isso conseguem sair da dependência dos chamados ferros-velhos, que pagam um valor muito baixo pelo material e, há denúncias, mantém pessoas em situação análoga à escravidão nesses locais. Os catadores organizados refutam por sua vez o assistencialismo e buscam a autonomia e autogestão. Foram, juntamente com catadores de outras regiões, embriões para a organização do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) que hoje está presente em 23 Estados brasileiros[ix]. Os grupos de catadores organizados do Glicério buscam ideais de não exploração de um catador sobre o outro, uma prática comum no meio. Muitos catadores que realizam o trabalho mais pesado de puxar as carroças acabam ganhando mais dos que os triadores, pessoas que separam os materiais por tipo para serem comercializados, quase sempre mulheres que chegam a ganhar três vezes menos que um carroceiro. Nos grupos organizados existe uma maior solidariedade quanto a essa questão, onde também se observam práticas tais como o “rateio” para pagamento de despesas coletivas (como pão e café), decisões tomadas em conjunto em assembléias e a prática cotidiana de trabalhar coletivamente. São contrários ao assistencialismo –
Os cortiços do Glicério concentram, além dos catadores, imigrantes pobres em sua maioria em situação ilegal, grande parte de origem boliviana, mas também grupos peruanos e chilenos. Apesar de não serem em grande número aqueles que residem no Glicério, o bairro é um reduto da imigração em São Paulo pelo fato de ali funcionar a Pastoral do Imigrante, na Igreja Nossa Senhora da Paz na Rua do Glicério. Na igreja, muito freqüentada por imigrantes, a Pastoral oferece serviços de auxílio a essas pessoas, em sua maioria latino-americanos buscando a legalização e permanência no Brasil. O local é descrito por Sidney Antonio da Silva com um dos pedaços da imigração em São Paulo, sendo a igreja utilizada para rituais culturais e religiosos da comunidade boliviana. Em seu trabalho Silva discute e analisa o processo de recriação e reprodução cultural, e acredita que no contexto de grande estigmatização em que vivem, os bolivianos se utilizam de rituais e se apropriam de novos elementos culturais adaptando-os a uma lógica e contexto próprio para reafirmar sua identidade. Silva defende, assim como Marshall Sahllins, que os elementos culturais podem se alterar dependendo da conjuntura.
Baixada do Glicério foi por muito tempo sinônimo de tradição cultural paulista. Nesse local foi fundada em
Assim como com essa escola de samba, o Glicério produziu e produz hoje um vasto leque de diversidade e riqueza cultural, como a apropriação dos espaços ociosos dos viadutos para quadras de futebol, ou mesmo a academia de ginástica com equipamentos feitos de materiais reutilizados – algo que seria chamado em outra situação de lixo –, ou as oficinas de artesanato[x] da população de rua que produzem verdadeiras obras de arte.
Não é difícil apontar os diversos problemas sociais que a Baixada do Glicério apresenta, tampouco seu reflexo sobre o resto da cidade; difícil é localizar sua diversidade e produção cultural, assim como o reflexo dessas sobre a construção sócio-cultural da cidade. “Trata-se, enfim, de uma metrópole, com suas mazelas e também com os arranjos que os moradores fazem para nela viver (ou sobreviver), combinando o antigo com o moderno, o conhecido e a novidade, o tradicional e a vanguarda, a periferia e o centro” (Magnani, 2000). Com isso o projeto de revitalização da área central envolve não apenas fatores econômicos de mercado da cidade, mas também a dimensão cultural da população que ocupa há cerca de um século as áreas centrais da cidade de São Paulo.
Contudo, Marshall Sahllins chama a atenção para o modo como as pessoas assimilam as condições às quais são submetidas. Segundo o autor, a apropriação cultural que as pessoas fazem dessas condições impostas constituem o próprio princípio de sua ação histórica. O trecho a seguir, apesar de deslocado da questão específica da cidade, nos faz refletir sobre os efeitos do projeto em curso e sua apropriação social.
Não se trata de sugerir, portanto, que desconheçamos as forças devastadoras modernas, mas apenas que seu curso histórico deve ser visto como um processo cultural. O capitalismo ocidental pôs à solta no mundo imensas forças de produção, coerção e destruição. Todavia, precisamente por serem irresistíveis, relações e bens do sistema mais amplo também passam a ocupar lugares dotados de significados na ordem local das coisas. Em conseqüência, as mudanças históricas na sociedade local também estão em continuidade com o esquema cultural suplantado, enquanto a nova situação vai adquirindo uma coerência cultural de natureza distinta. [...] ... o sistema não é uma física de relações proporcionais entre “impactos” econômicos e “reações” culturais. Os efeitos específicos das forças material-globais dependem das várias maneiras pelas quais elas são mediadas nos esquemas culturais locais. (Sahllins, 2004)
No entanto, parece ser mais preocupante o impacto do processo de produção de excedente capitalista que comprime o espaço urbano e é fruto de um processo histórico que reflete inevitavelmente sobre a construção cultural dos habitantes de uma metrópole. “No cotidiano das classes populares a produção da escassez é ampliada por força das exigências da reestruturação dos territórios, que impõe novas distâncias sociais, econômicas e culturais.” (Santos, Milton. 2000). Essa ação sobre as cidades acelera o processo de violência social e simbólica, fragiliza a população “desarticulando o circuito inferior da economia sobre o qual se organiza o dinamismo econômico e social do subespaço periférico”[xi].
Sahllins compreende que “a história moderna, desde aproximadamente 1860, foi marcada pelo desenvolvimento simultâneo de uma integração global e de uma diferenciação local.” Já no Glicério podemos observar o movimento de resistência a interferências sistêmicas no cotidiano das comunidades. É fácil identificar a presença de movimentos sociais organizados que surgem e/ou estão presentes no Glicério. É o caso dos próprios imigrantes bolivianos, das organizações de assistência social e entidades religiosas, do Movimento Nacional dos Catadores e do Movimento da População em Situação de Rua, Fórum Centro Vivo, e recentemente o Fórum para Desenvolvimento do Glicério que se organizam como novos atores políticos de um processo de luta por equipamentos e participação na tomada de decisões sobre o ordenamento urbano.
Este conjunto de fenômenos forma um todo. Não são crônicas de uma civilização
Segundo Castells é nesse contexto que surgem os movimento sociais fomentados pelo novo campo de contradições existentes no espaço urbano, e com base nessas questões se operam as mobilizações populares pelo interesses sociais transformando a vontade política. “Assim, a verdadeira origem da mudança e da inovação da cidade está nos movimentos sociais urbanos e não nas instituições”(Castells).
Para Castells, resta saber se é possível uma mudança urbana independente de uma mudança social, política e global.
O Glicério é, por fim, o agrupamento de diversas contradições presentes em nossa sociedade da qual ainda é necessária grande atenção, fonte de uma experiência urbana que pode e deve nos dizer muito sobre os rumos de desenvolvimento da humanidade.
Bibliografia
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Caldeira, Teresa Pires do Rio. Cidades de Muros – Crimes, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Edusp, s/d.
Castells, Manuel. Lutas Urbanas e Poder Político. Porto: Afrontamento, 1976.
Chiaverini, Tomás. Cama de cimento: uma reportagem sobre o povo das ruas. São Paulo: Ediouro, 2007
Fórum Centro Vivo. Dossiê denúncia: Violações dos Direitos Humanos no centro de São Paulo. São Paulo, 2006
Giardelli,Gil. Baixada do Glicério, Marcola, Irmã Derly, 90.000 habitantes e 160 vagas na pré-escola!, disponível em: http://sabersorrir.wordpress.com/2007/08/20/baixada-do-glicerio-marcola-irma-derly-90000-habitantes-e-160-vagas-na-pre-escola/ acesso em: 11/11/2008 às 21:06h
Grimberg, Elizabeth. Revista Polis: Coleta seletiva com inclusão dos catadores - Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo Experiência e desafios. São Paulo: Instituto Polis, 2007
HOFFMANN, Friederike. Istanbul: Living Together Separately. Urban Action 2007, College of Behavioral and Social Sciences,
Magnani, J. G. Cantor. Transformações na cultura urbana das grandes metrópoles In Moreira, Alberto da Silva (Org.). Sociedade Global – Cultura e religião. Petrópolis: Vozes, 1998
__________ Quando o Campo é a cidade – Fazendo antropologia na Metrópole In Magnani, J. G. Cantor e Torres, Lílian Lucca (Orgs.). Na Metrópole – textos de antropologia urbana. São Paulo: Edusp, 2000.
Sahllins, Marshall. Cosmologias e o capitalismo – o setor transpacífico do sistema mundial In SAHLLINS. Cultura na prática. Rio de janeiro: Editora UFRJ, 2004
Silva, Sidney Antonio da. Ser “pasante”
[i] HOFFMANN, Friederike. Istanbul: Living Together Separately. Urban Action 2007, College of Behavioral and Social Sciences, San Francisco State University, 2007
[iii] Wikipédia, a enciclopédia livre. Acesso em 10 de novembro de 2008.
[v] Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, 2006
[vi] Magnani, 1998.
[vii] Cymbalista, Renato - trecho do documentário “São Paulo Citytellers” de Francesco Jodice, 2006
[viii] Gil Giardelli, Baixada do Glicério, Marcola, Irmã Derly, 90.000 habitantes e 160 vagas na pré escola!
[ix] Grimberg, Elizabeth, 2007
[x] Ver sobre a Casa Cor da Rua em Chiaverini, Tomás, 2007
[xi] Bocayuva, Pedro Cláudio Cunca. O Complexo do Alemão e os Jogos de Guerra no Rio de Janeiro.










