sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Milágrimas


(não preciso mais escrever nada, o Itamar já disse tudo.)


em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo

se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre

caso de tristeza vire a mesa
coma só a sobremesa coma somente a cereja
jogue para cima faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre

mas se apesar de banal
chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre

(por: Alice Ruiz e Itamar Assumpção )

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MAD

Para ELES, palavra em inglês que significa LOUCA.

Para ELAS, sigla em português que siginifica Mulher que Ama Demais.

Entre o estômago e o ralo

Me perguntei se era certo apoderar-me da minha vida para isso. Ele conferia daquele jeito a caixa de correio toda vez. O jeito empedrava meus olhos, era realmente os olhos de antes. O short sem botão, nas cores largas de sorriso refém da timidez, ele descia a rampa de concreto para se apagar enquanto amanhã não viesse. E eu ligava o carro, os faróis, e achava que amolecia os olhos antes de chegar à esquina de casa. Medo de bater, de ferir quem viesse pela pista ao lado, ao contrário de mim e de nós.

O amor homeopático que bebia em doses pequenas dia a dia era remédio de ferida à preguiça e mal estar. O amor morria a cada gole. Antes do gole, eu morria de vontade de fazer bochecho com o amor, esse. Senti-lo passar por todos os meus dentes, misturar-se à saliva e até de renunciar minha garganta na possibilidade de me afogar com ele.

Agora não sei da urgência que me toma. Me sinto numa boca, num bochecho. Eu passo por dentes, viro outro líquido ao me misturar à saliva e sei que há renúncia de uma garganta para um afogamento em mim.

Um bochecho, dois destinos. O ácido sarcástico do estômago ou o ralo mofado que leva à merda.

Foi nenhum, quando os olhos enfraqueceram e dois pequenos montes de pó castanho se formaram sobre o vestido azul que alcançava minhas coxas moles.