
domingo, 27 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
contrações ( a parte )
"__Já lhe contei a história do homem que ensinou o cu a falar?
O abdômen dele mexia-se para cima e para baixo e ele peidava as palavras. Nunca tinha ouvido nada igual. Era um som borbulhante, denso, estagnado, um som que dava pra cheirar. O homem trabalhava numa feira e aquilo começou por ser um novo número de ventriloqüismo. Depois de um tempo o cu começou a falar sozinho, ele entrava no palco sem ter nada preparado e o cu respondia às piadas. Depois desenvolveu uma espécie de dentes ásperos, pareciam ganchos virados pra dentro e começou a comer. No início ele achou piada e fez número com aquilo. Mas o cu comia-lhe as calças e começava a falar na rua, a gritar que queria igualdade de direitos. E também se embebedava e tinha acessos de choro porque ninguém gostava dele, e ele queria ser beijado como as outras bocas. No fim, falava o dia todo, noite e dia, ouvia-se o homem gritar com ele para se calar a quarteirões de distância. E batia-lhe com o punho e enfiava-lhe velas para dentro, mas nada resultava e o cu disse-lhe: “No fim quem vai se calar é você, não eu, porque já não precisamos de ti. Eu posso falar e comer e cagar”. Depois disso, ele começou a acordar com uma gelatina transparente, como cauda de um girino, espalhada pela boca. Ele arrancava aquilo da boca e os pedaços colavam-se às mãos, como uma gelatina de gasolina a arder e alastravam. Então, a boca dele acabou por ser selada por aquilo. E a cabeça teria caído espontaneamente, exceto os olhos, está vendo? Era a única coisa que o cu não conseguia fazer, era ver. Precisava dos olhos. As ligações nervosa estavam bloqueadas e infiltradas e atrofiadas e o cérebro já não conseguia dar ordens. Estava preso dentro do seu crânio. Selado. Durante uns tempos, conseguia ver o sofrimento silencioso e impotente do cérebro, por trás dos olhos. E por fim, o cérebro deve ter morrido porque os olhos se apagaram, e havia tanta vida neles como nos de um caranguejo depois da pesca."
"Mistérios e Paixões" ( David Cronenberg )
*Em oferenda à Fábio Calaza
O abdômen dele mexia-se para cima e para baixo e ele peidava as palavras. Nunca tinha ouvido nada igual. Era um som borbulhante, denso, estagnado, um som que dava pra cheirar. O homem trabalhava numa feira e aquilo começou por ser um novo número de ventriloqüismo. Depois de um tempo o cu começou a falar sozinho, ele entrava no palco sem ter nada preparado e o cu respondia às piadas. Depois desenvolveu uma espécie de dentes ásperos, pareciam ganchos virados pra dentro e começou a comer. No início ele achou piada e fez número com aquilo. Mas o cu comia-lhe as calças e começava a falar na rua, a gritar que queria igualdade de direitos. E também se embebedava e tinha acessos de choro porque ninguém gostava dele, e ele queria ser beijado como as outras bocas. No fim, falava o dia todo, noite e dia, ouvia-se o homem gritar com ele para se calar a quarteirões de distância. E batia-lhe com o punho e enfiava-lhe velas para dentro, mas nada resultava e o cu disse-lhe: “No fim quem vai se calar é você, não eu, porque já não precisamos de ti. Eu posso falar e comer e cagar”. Depois disso, ele começou a acordar com uma gelatina transparente, como cauda de um girino, espalhada pela boca. Ele arrancava aquilo da boca e os pedaços colavam-se às mãos, como uma gelatina de gasolina a arder e alastravam. Então, a boca dele acabou por ser selada por aquilo. E a cabeça teria caído espontaneamente, exceto os olhos, está vendo? Era a única coisa que o cu não conseguia fazer, era ver. Precisava dos olhos. As ligações nervosa estavam bloqueadas e infiltradas e atrofiadas e o cérebro já não conseguia dar ordens. Estava preso dentro do seu crânio. Selado. Durante uns tempos, conseguia ver o sofrimento silencioso e impotente do cérebro, por trás dos olhos. E por fim, o cérebro deve ter morrido porque os olhos se apagaram, e havia tanta vida neles como nos de um caranguejo depois da pesca."
"Mistérios e Paixões" ( David Cronenberg )
*Em oferenda à Fábio Calaza
in natura
mordia-se
mentes
vendia-se
cante -
então pinte:
ao
som
do secar
das
tintas
dava-se
lado.
e não havia quem
pudesse
abrir.
morria-se
não,
por amor aos
horizontes
que outrora
voaram
para
ti.
mentes
vendia-se
cante -
então pinte:
ao
som
do secar
das
tintas
dava-se
lado.
e não havia quem
pudesse
abrir.
morria-se
não,
por amor aos
horizontes
que outrora
voaram
para
ti.
sábado, 12 de abril de 2008
Sem título
...
Viu dois meninos olhando o mar como se a única coisa grande que um dia viram fosse a quantidade de edifícios plantados naquela cidade. Ela nunca passava por ali. Virava a esquina sempre antes, para não encontrar o último cara que enganou. Mas hoje ela não pensou – e as pernas foram por conta. Tinha um certo sorriso na cara, algo meio estranho. Ela não sorria muito e tinha convulsões quando coisas engraçadas aconteciam. Rir significava tosse e ânsia de vômito. Ela evitava.
Havia na mesa, naquela tarde, três opções:
Primeira: Uma corda verde, fina, com o comprimento de mais ou menos 1,20 m e um jacaré feito de miçangas pendurado em uma das pontas. A barriga amarela, olhos negros, sem dentes - um belo chaveiro para uma proposta tão ridícula.
Segunda: Uma faca de cozinha com a lâmina enferrujada. Cabo branco, de marfim falsificado, comprada no maior supermercado da cidade - sugestão de uma moça morena de olhos azuis e peitos grandes. Já havia picado tomates, cebolas e bifes, mas era ambiciosa. (A faca, não a moça).
Terceira: Um maço de cigarros.
Ela caminhava com passos fortes, devia doer o calcanhar de tanto bater os pés. Rápida, não sabia para onde estava indo. Ia. Ela ainda lembrava, muito vagamente, os olhares dos meninos na praia. O mar era insignificante. Era a isca que o sol usava para que mais camarões morressem de câncer de pele. Não fazia o menor sentido. Só de pensar que os garotos haviam passado bloqueador, o coração palpitava. Ela não suportava essa palavra – bloquear, bloqueio, bloqueador, bloqueado – era uma ofensa. Por isso, não entrava no mar desde os sete anos.
A mesa era de madeira velha. Uma toalha de vaquinhas escondia a idade dela. Tudo era velho. Inclusive a vontade, era velha. O compartimento da cozinha, mal iluminado, morto e silencioso, tinha uma parede de cada cor. Uma preta, uma vermelha, uma cinza e a outra verde. Ninguém ficava muito lá. Ninguém agüentava aquele ambiente por mais tempo que o necessário para arrumar alguma coisa, geralmente pão com qualquer outra coisa.
Decidir nunca foi forte dele. Ele morria de dúvidas até para escolher a "qualquer outra coisa" que acompanharia o pão – Margarina? Maionese? Geléia? Banha? – era um sufoco. Baixa estatura, olhos pequenos, porte fraco. Nem a mãe conseguiria mentir que ele, um dia, daria tesão. Sedentário, só o exercício de tentar terminar o único poema que havia começado era o que fazia. Tinha três versos e duas palavras erradas. Uma delas, designava uma doença do esquecimento. Alzheimer, se não me engano. A outra era a palavra "posso" escrita com "ç" – "poço", que era para onde ele ia toda vez que se dizia capaz de tentar o que fosse. Acho que ele não podia.
Na rua, nunca olhava para lado algum. Não era de se estranhar que sempre quase caia. Ela tinha o egocentrismo como religião. Só acreditava nela. Se tivesse que brigar, brigava com si mesma. Se tivesse que amar, humilhava asperamente quem pensava ser. Levava abobrinhas na sacola, tinha o peso necessário para fazer do produto balanços de uma roda gigante. Um erro e as abobrinhas virariam purê de batatas. É, batatas. O exercício de rodar a sacola exigia tamanha concentração e coordenação motora, mas dava prazer.
Um zero e ele, pouca diferença tinham. Ele tinha que escolher. Rodou a mesa. Uma vez, duas. Ficou mais de meia hora dando voltas ao redor da mesa, pacientemente. Calculando, frio e psicótico, o que cada objeto lhe proporcionaria. Deixou os três. Pegou a calculadora HP e fechou os olhos. (3336777). Por duas horas seguidas fez interpretações com esse número. Descobriu que as aranhas são bichos concretistas e que desenvolveram as teias só para não correr risco de perder oportunidades. Isso mudou a vida dele. Havia chegado a hora.
Ela parou. Não por ter chegado aonde fosse. Resolveu encher a cara. O bar era tranqüilo. Paredes de tijolos maciços. Fumaça. Cachaça. Coca-Cola. Ela beirava o precipício. Lembrava das palavras do médico. Não esquecia dos meninos na praia. Tentou recordar a última vez que falou com alguém sobre o que tinha. Esqueceu. Sentou-se na cadeira, a mesa mais escondida – ela, um camaleão. Pediu Vodca. Não tinha. A URSS do seu peito jamais seria a mesma. Pediu para que o garçom escolhesse alguma coisa forte, já que não podia beber. Dormiu esperando.
Meia volta, chegou à mesa, pegou o maço de cigarros e saiu. Arrastando os pés, cabeça baixa, pensativo. Pedia perdão à mãe. Pedia demissão. Não queria mais ser ele, não queria mais que ela fosse ela. Parou no bar. Pediu fósforo emprestado – Nunca havia conseguido ter um isqueiro por mais de dois dias depois de compra-lo, perdia. Era como as borrachas do tempo de escola, sempre desapareciam. (Chegou a construir uma teoria que acusava moscas verdes de as raptarem, mas jamais seguiu adiante com pesquisas). As primeiras cinzas depositou no cinzeiro da mesa ao lado. Optou por morrer lentamente.
Eles jamais se encontraram.
Viu dois meninos olhando o mar como se a única coisa grande que um dia viram fosse a quantidade de edifícios plantados naquela cidade. Ela nunca passava por ali. Virava a esquina sempre antes, para não encontrar o último cara que enganou. Mas hoje ela não pensou – e as pernas foram por conta. Tinha um certo sorriso na cara, algo meio estranho. Ela não sorria muito e tinha convulsões quando coisas engraçadas aconteciam. Rir significava tosse e ânsia de vômito. Ela evitava.
Havia na mesa, naquela tarde, três opções:
Primeira: Uma corda verde, fina, com o comprimento de mais ou menos 1,20 m e um jacaré feito de miçangas pendurado em uma das pontas. A barriga amarela, olhos negros, sem dentes - um belo chaveiro para uma proposta tão ridícula.
Segunda: Uma faca de cozinha com a lâmina enferrujada. Cabo branco, de marfim falsificado, comprada no maior supermercado da cidade - sugestão de uma moça morena de olhos azuis e peitos grandes. Já havia picado tomates, cebolas e bifes, mas era ambiciosa. (A faca, não a moça).
Terceira: Um maço de cigarros.
Ela caminhava com passos fortes, devia doer o calcanhar de tanto bater os pés. Rápida, não sabia para onde estava indo. Ia. Ela ainda lembrava, muito vagamente, os olhares dos meninos na praia. O mar era insignificante. Era a isca que o sol usava para que mais camarões morressem de câncer de pele. Não fazia o menor sentido. Só de pensar que os garotos haviam passado bloqueador, o coração palpitava. Ela não suportava essa palavra – bloquear, bloqueio, bloqueador, bloqueado – era uma ofensa. Por isso, não entrava no mar desde os sete anos.
A mesa era de madeira velha. Uma toalha de vaquinhas escondia a idade dela. Tudo era velho. Inclusive a vontade, era velha. O compartimento da cozinha, mal iluminado, morto e silencioso, tinha uma parede de cada cor. Uma preta, uma vermelha, uma cinza e a outra verde. Ninguém ficava muito lá. Ninguém agüentava aquele ambiente por mais tempo que o necessário para arrumar alguma coisa, geralmente pão com qualquer outra coisa.
Decidir nunca foi forte dele. Ele morria de dúvidas até para escolher a "qualquer outra coisa" que acompanharia o pão – Margarina? Maionese? Geléia? Banha? – era um sufoco. Baixa estatura, olhos pequenos, porte fraco. Nem a mãe conseguiria mentir que ele, um dia, daria tesão. Sedentário, só o exercício de tentar terminar o único poema que havia começado era o que fazia. Tinha três versos e duas palavras erradas. Uma delas, designava uma doença do esquecimento. Alzheimer, se não me engano. A outra era a palavra "posso" escrita com "ç" – "poço", que era para onde ele ia toda vez que se dizia capaz de tentar o que fosse. Acho que ele não podia.
Na rua, nunca olhava para lado algum. Não era de se estranhar que sempre quase caia. Ela tinha o egocentrismo como religião. Só acreditava nela. Se tivesse que brigar, brigava com si mesma. Se tivesse que amar, humilhava asperamente quem pensava ser. Levava abobrinhas na sacola, tinha o peso necessário para fazer do produto balanços de uma roda gigante. Um erro e as abobrinhas virariam purê de batatas. É, batatas. O exercício de rodar a sacola exigia tamanha concentração e coordenação motora, mas dava prazer.
Um zero e ele, pouca diferença tinham. Ele tinha que escolher. Rodou a mesa. Uma vez, duas. Ficou mais de meia hora dando voltas ao redor da mesa, pacientemente. Calculando, frio e psicótico, o que cada objeto lhe proporcionaria. Deixou os três. Pegou a calculadora HP e fechou os olhos. (3336777). Por duas horas seguidas fez interpretações com esse número. Descobriu que as aranhas são bichos concretistas e que desenvolveram as teias só para não correr risco de perder oportunidades. Isso mudou a vida dele. Havia chegado a hora.
Ela parou. Não por ter chegado aonde fosse. Resolveu encher a cara. O bar era tranqüilo. Paredes de tijolos maciços. Fumaça. Cachaça. Coca-Cola. Ela beirava o precipício. Lembrava das palavras do médico. Não esquecia dos meninos na praia. Tentou recordar a última vez que falou com alguém sobre o que tinha. Esqueceu. Sentou-se na cadeira, a mesa mais escondida – ela, um camaleão. Pediu Vodca. Não tinha. A URSS do seu peito jamais seria a mesma. Pediu para que o garçom escolhesse alguma coisa forte, já que não podia beber. Dormiu esperando.
Meia volta, chegou à mesa, pegou o maço de cigarros e saiu. Arrastando os pés, cabeça baixa, pensativo. Pedia perdão à mãe. Pedia demissão. Não queria mais ser ele, não queria mais que ela fosse ela. Parou no bar. Pediu fósforo emprestado – Nunca havia conseguido ter um isqueiro por mais de dois dias depois de compra-lo, perdia. Era como as borrachas do tempo de escola, sempre desapareciam. (Chegou a construir uma teoria que acusava moscas verdes de as raptarem, mas jamais seguiu adiante com pesquisas). As primeiras cinzas depositou no cinzeiro da mesa ao lado. Optou por morrer lentamente.
Eles jamais se encontraram.
microconto II
quinta-feira, 10 de abril de 2008
h(A)MORrágico
terça-feira, 8 de abril de 2008
Reprimidos
.Ao que parece, é uma retração no ego. Uma doença criativa induzida por um esforço artificial. Uma bolinha de papel que envolve um catarro com sangue. Uma tuberculose estomacal ornamentada por confetes de carnaval. Como se a alma, sem qualquer intervenção filosófica, estivesse falida. Morta - numa rua sem saída.
Quando se baseia em proezas menos fatídicas, prostra a beleza do sofrimento sem qualquer piedade. E, se descobre, aos gritos do intestino, que toda essa linda depressão era apenas uma vontade insana de cagar.
E passa...
.
Poço
o que procurei no teu ponto negro?
- o tédio, que deveras
existia.
tédio que continuo vomitando,
sobre a cidade,
sobre o pássaro,
sobre a descrença
e a presença do teu desamor desatou
num só instante,
não cabe aqui,
não cabe em nada que existe,
pois nada existe.
como o amor que deveria ter causado,
sentido,
insistido.
Nem a insistência existe.
A verdade é a recusa,
o não feito,
o desfeito,
o caos
e
a lama.
teu ponto negro é um nó,
que se desfaz em minha liberdade.
que me arremessa numa paisagem amena,
de cores e findas dores.
Então me sepulto sem dor e acordado
no túmulo da tua boca.
.patrícia e Volmir M. G.
- o tédio, que deveras
existia.
tédio que continuo vomitando,
sobre a cidade,
sobre o pássaro,
sobre a descrença
e a presença do teu desamor desatou
num só instante,
não cabe aqui,
não cabe em nada que existe,
pois nada existe.
como o amor que deveria ter causado,
sentido,
insistido.
Nem a insistência existe.
A verdade é a recusa,
o não feito,
o desfeito,
o caos
e
a lama.
teu ponto negro é um nó,
que se desfaz em minha liberdade.
que me arremessa numa paisagem amena,
de cores e findas dores.
Então me sepulto sem dor e acordado
no túmulo da tua boca.
.patrícia e Volmir M. G.
domingo, 6 de abril de 2008
Contrações ( à cada 5 minutos )
Não houve um só dia em 45 anos que não pensasse em fugir, depois de virar a última esquina até sua casa. Não era a propriedade, nada disso, até gostava do portãozinho baixo de madeira acompanhado de arbustos verdes mal cuidados mas dignos, conseguira até realizar seu sonho de fazer a entrada de pedestres com grandes paralelepípedos envoltos de graminha até a porta de entrada, esta já um pouco enferrujada mas que atrai pelo trabalho de serralheria. Isso pra não falar do interior, cômodos altos, assoalho e forros de madeira escura, paredes brancas e lisas sem essas frescuras de azulejo ou grafiato, sem dúvida uma casa sóbria, confortável, acústica. Definitivamente tinha um bom relacionamento com a casa, não poderia culpá-la depois de tanto tempo. Também não era Solange, a relação entre ambos era elogiada por todos os amigos, discutiam abertamente, trocavam seus medos, compartilhavam momentos...todos os momentos realmente pertenciam aos dois. Ali não havia quem aproveitasse a sinceridade, o sexo ou até mesmo algo mais fútil pra tirar proveito próprio, trata-se de uma pequena fissura que ao acumular-se põe em risco a estrutura do casal. Tinham conhecimento disso e seguramente não atentavam contra o bem estar do encontro diário no fim da tarde, tomar café juntos, filmes, alguma tarefa e cama.
É de se pensar que espécie de tormento pode afligir a vida de uma pessoa por tantos anos, que tipo de medo pode fazer com que uma pessoa fuja de todas as realizações possíveis, aversão pelo que dá certo, vontade de começar tudo de novo sempre que chega próximo à chegada. Não dá pra entender essa febre de largar tudo pela metade.
Há uns dois meses se queixou de dores de cabeça fortíssimas, tontura, essas coisas...disse que não tinha nada a ver com problemas oftalmológicos, que estava acompanhando e até fez um check-up. Continuou afirmando que até caiu inconsciente e acordou minutos depois...Fiquei calado e não soube o que dizer, haviamos nos encontrado por pedido meu, algo constrangedor para mim que sou amigo dele e de Solange desde a adolescência...o fato é que três dias antes recebi um telefonema de Solange dizendo que estaria me mandando duas cartas, que eu deveria ler uma, e enviar outra a ele...pela gravidade resolvi trazer pessoalmente...finalmente após ter lido a carta e juntar-se a mim disse estar pronto, cerrei os olhos...e atirei.
É de se pensar que espécie de tormento pode afligir a vida de uma pessoa por tantos anos, que tipo de medo pode fazer com que uma pessoa fuja de todas as realizações possíveis, aversão pelo que dá certo, vontade de começar tudo de novo sempre que chega próximo à chegada. Não dá pra entender essa febre de largar tudo pela metade.
Há uns dois meses se queixou de dores de cabeça fortíssimas, tontura, essas coisas...disse que não tinha nada a ver com problemas oftalmológicos, que estava acompanhando e até fez um check-up. Continuou afirmando que até caiu inconsciente e acordou minutos depois...Fiquei calado e não soube o que dizer, haviamos nos encontrado por pedido meu, algo constrangedor para mim que sou amigo dele e de Solange desde a adolescência...o fato é que três dias antes recebi um telefonema de Solange dizendo que estaria me mandando duas cartas, que eu deveria ler uma, e enviar outra a ele...pela gravidade resolvi trazer pessoalmente...finalmente após ter lido a carta e juntar-se a mim disse estar pronto, cerrei os olhos...e atirei.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
22 de Abril

Por que não te escrevi um poema, falando de sua roupa, do seu cabelo, da sua pele? Por que não falei sobre sua voz, do seu sorriso, das suas unhas? Por que não pus no papel sobre suas coisas, sobre seus vícios e defeitos, sobre o seu jeito e como amava isso tudo? Por que passei todo esse tempo sem te escrever como sua presença me fazia bem? Como seu abraço me aquecia, me fazia vivo, me envaidecia... Por que não registrei cada manhã, cada bom momento em um longo poema? Por quê? Não deu tempo? Tempo. Não. Não me apronte mais dessas.
Imagem: Niña Azul, Maria Fernanda Aldana calma, não é virús
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