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te visto cachecóis verdes
por cima do que avisto.
fico. contigo,
menos ti.
te queria bem longe das vistas
ainda cegas do meu olho nu.
então te dispenso, como quem aprende a não pensar.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Acalanto para Helena ( Chico Buarque )
Intro.: E / C / E / Am / Em / B7 / Em
E C E Am Em B7 Em
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
E C E Am Em B7 Am7
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
D7 G G7 C G/B Am7
Eu vou sair por aí a ...fora
F#7 B7
Atrás da aurora mais serena
E C E Am Em B7 E
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
E C E Am Em B7 Em
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
E C E Am Em B7 Am7
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
D7 G G7 C G/B Am7
Eu vou sair por aí a ...fora
F#7 B7
Atrás da aurora mais serena
E C E Am Em B7 E
Dorme minha pequena não vale a pena despertar
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Referências

na imagem: Buster Keaton
Distanciando. Eu percorro devagar as ruas que chamam meu estado de espírito. Abrem-se clarões para que os devaneios passem em esferas rápidas. Minha mente cansa, mas precisa encontrar as referências que me cabem. Um assunto, apenas. É o que eu quero. Algo fácil de ter, levando em consideração o bombardeio de informações ouvidas, lidas, assistidas, compradas, inventadas – gratuitas.
Fácil como ouvir, mas não escutar. Ler, mas não entender. Ver, mas não enxergar. Comprar, parcelar e não pagar. Acreditar, sorrir, mas não sentir. Ganhar, guardar e esquecer - Simples como a rotina. Sistemático. Imperceptível. Talvez, porque superficial.
Eu quero o assunto e posso escolher qualquer um. São todos meus. Mas, eu não consigo. “Eu não consigo” – Ponto – E, palestrantes motivacionais, com aquela doença do otimismo crônico, que não venham criticar essa frase. Essa, que concede o charme para todas as situações da minha vida, ou quase. Insuportável é aquela coisa de “Sim, eu posso!”. Prefiro deixar essas encrencas para a pseudo-literatura auto-ajuda de Paulo Coelho, que pelo menos disfarça bem...
Minhas referências moldam minhas incoerências. Os acertos comprados, os mal pagos. Os ganhos e as perdas. Os erros que me embalam e me governam; me cegam e me acordam. Contraditórias, as referências. As minhas - Plágios suspeitos, sutis, de pensamentos. Plágios com referências bibliográficas de grandes obras, ou não. São as referências disseminações de pesquisas e de nervos. São o produto da escolha e do trabalho sobre algum assunto, de alguém que, um dia, quis se tornar referência. Ou, são apenas referências: Deitadas nas ruas, escoradas nas esquinas, estacionadas em frente à farmácia. Uma cor, um consultório, um crítico, um psicólogo. São apenas referências. Na música, na arte, no cinema, nos livros, nas pesquisas científicas. Cada área com as que lhes faz parte. E eu aqui, tentando achar as minhas para conseguir o assunto do dia.
Um assunto - eu o procuraria pelas minhas divagações, se não fossem em forma de rizomas malandros; enganosos, afoitos e escondidos em mim, por mim. Assim, não o encontro. Não penso nos livros que já li, porque a maioria ficou pela metade, e eu não saberia desdobrar o possível tema, tirado deles, até o fim. Preciso de uma referência. Talvez alguém que tenha lido muitos livros até o final e, além disso, saiba falar sobre. Alguém que me lançaria um desafio com um assunto sem sentido, se sozinho. Um assunto que me deixaria sem argumentos, mais enrolada que as minhas divagações...
Não, pensando melhor, isso não seria uma boa idéia, seria o ápice do desamor-próprio. Não vou pedir a ninguém palpite algum. Tenho minhas músicas, meus filmes, meus gostos gastronômicos. Tenho um mapa da cidade, acesso à biblioteca, explanações diárias de professores. Não sei para quê tanto alarde por causa de um assunto. Tenho mentiras imaginárias, um segredo de Estado, estratégias de guerra. Tenho todas as referências para uma boa escolha. Então, por que eu não resolvo isso de uma vez?
Pois é, eu também não sei. Mas, se não for preguiça, deve ser algo bem parecido. O meu medo é que esse seja o meu estado de espírito. Uma conduta que não acompanha a velocidade com que minha imaginação passa pelos clarões que se abrem. Sempre perco a idéia antes de grudá-la em algum papel. E a idéia se vai...Ou se esconde, como minhas referências. Sei que existem à distância. Que se distanciam mais e mais. E vai chegando a hora de entregar o trabalho, e eu não consegui sequer o assunto para começar. Continuo percorrendo as ruas devagar, quase parando. Parei. Cansei de pensar – Vai ficar para outro dia.
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
O amor que não existia
Tenho uma amiga que costumava dizer que o amor não existe. Dizia ela que tal sentimento era uma invenção, que as pessoas confundiam sentimentos como amizade, admiração, fraternidade, tesão com o famigerado amor. Segundo dizia, essa idéia servia apenas para desviar atenção de outros problemas como a carência, a falta de sentido que a vida tem. Parecia obvio não sofre por algo que não existia, então via nas canções de amor, nos poetas, nas histórias, verdadeiras pragas. Mentiras que iludiam a todos, não negava, porém, a existência de sentimentos, mas a associação de vários deles aludiam a sensação um sentimento inventado, um amor que não existia.Imagine, todos a ouviam atônitos, a chamavam de louca e incessível. E o pior é que todos queriam tê-la, mas ela não era de ninguém. Essa minha amiga era mesmo uma jóia rara. Lembro de ter visto tantos marmanjos chorarem por sua causa, naquelas noites frias e nubladas com gosto de aventura na boca, e do calor dos corpos ansiosos por sentir intensamente cada momento. Cada passo em falso era um novo caminho, único.
Era mesmo engraçado ouvi-la falar. Eu que tanto refutava suas idéias, admirava sua clareza de argumentação que aqui nem sei reproduzir. Com um pouco mais de debate acabava por considerar, o que dava sensações hora de alivio, hora de tristeza.
Passados alguns anos de afastamento, voltei a ver essa amiga e toquei no assunto. Fiquei de certa forma decepcionado em ouvir que ela já não pensava mais como antes, dizia agora que descobriu que as coisas não eram bem como ela pensava, que sofreu por amor e coisa e tal.
Achava interessante sua idéia, talvez fosse uma boa saída, mas sem ter quem a defenda pergunto, quem irá racionalizar sobre esse oficio fictício que é amar?
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