domingo, 30 de setembro de 2007

Noites que descansavam nas minhas palavras

Imagem: Não sei de quem é a imagem. Que vergonha...


Haviam noites que descansavam nas minhas palavras
enquanto eu dormia. Ouviam-me a vontade de
acordar pouco. Seguravam-me as pálpebras e ,
hoje sei que era para meu bem. Acho detestável
ter que acordar todos os dias , pouco que seja.
Continua a apetecer-me gritar nas paredes
que não acordo , mas cada vez mais
menos sei o que dizer: E da noite se fez dia,
dos dias nasceu a noite.
Tal como com o ovo e a galinha também a mim
se coloca frequentemente uma dúvida ,
em noites que descansavam nas minhas palavras ,
e essa dúvida era a de acordar , pouco que fosse.


Nuno Travanca

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sabe...

Ei, não é só a minha cabeça que carrega as tuas vivências:
Textos. Tortos. Mortos à beira do equilíbrio.
Vi tuas últimas filosofias e achei graça.
Foi de graça o beijo e o gosto.

Morri três vezes na semana passada.
Tu não deverias saber, sabe...

Colei uma propaganda de chocolate no terceiro vidro da minha janela.
A vida é doce...
A vida é uma propaganda de chocolate, sabe...

Não me venha com essas dores inventadas...
Dói, assim, para todo mundo...
Ao menos três vezes por semana.

Textos mortos, tortos de tanto equilíbrio.
Confundem, beiram o precipício...
Sabe...

Foi de graça o beijo e o gosto.
E nem precisou de propaganda.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

PAGU



Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel's check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.

(NOTHING por: Pagu/Patricia Rehder Galvão)
Foto: Arquivo do Deops

sábado, 1 de setembro de 2007

umdois - sem título

caminho com os pés suspensos sobre as flores. eu vou junto
com o sonho desta noite

quando acordei e vi que o dia tinha acabado e levado suas dores. eu te falava como as ruas se dobram sobre as vozes

e como é bom ir por aí sem destino e com alguém.
fico cantando as letras que sonhei e vejo o teu rosto

repousando no horizonte. eu só espero o afeto
e o útero. a manhã bonita colada ao teu sorriso.

eu tento. é que quando eu conheço alguém quero

viver mil histórias sem dor.

[José Menin]
.
***
então.
vesti teu sorriso só para não me perder destes teus mundinhos.
na dobra do silêncio que o caminho cantou.
uma rua tranqüila para criar estrelas perdidas.

uma.
sete.
duzentas.
mil e poucas.

a refletir os espinhos que teus pés não pisam
e unir a luz destes prismas atrapalhados às
mil histórias desconhecidas - a se inventar.

[Patrícia Galelli]
.
***
[e hasta novas parcerias. e (des) conhecimento. outroumbeijo.]
[umas parcerias que não conheço. nem tu. mas que são de graça. e valiosas.]