quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Pelas esquinas que não virei

Uma luz e outra sombra
Nas esquinas dos mundos que já inventei
Há tempos
Três vidas, duas fugas.
Uma luz que apaga a idéia fingida
Das mentes diluídas nas sombras dos outros mundos

Há duas casas
Há duas semanas
Espero sem paciência
Que a ausência das respostas das cartas que não mandei
Seja preenchida por uma notícia satisfatória

Outra luz e uma sombra
Das antigas noites de sábado
Dessas que tudo se torna como nunca foi
Dessas que se morre por se ter ânsia de viver

Dessas
Duas vezes seguidas
Que se enxerga, porque já não se quer ver.

Liberdade!
Grito contigo em silêncio
Para que os próximos tempos
Para que as próximas vidas, vindas,
Fugas, mentiras
Sejam como as respostas que nunca tive:
Satisfatórias – como certa luz que afoga a sombra
E certa sombra que enaltece a luz.



...

sábado, 25 de agosto de 2007

Ah....

O Câncer me beijou
Foi bom, é bom a “dor”
Descontrole
Células em pane

O desejo me invadiu a mente
Foi bem quando a fumaça
Invadiu meu peito.
Desejos insensatos...
Coração em cinzas.

Boca, vento, doente....
Lábios, células dementes
Cinza, sangue, sente?
Ah se Jesus me visse
Acenderia minha mente

A mente agora roda
Em virtude da morbidec da alma
Células mórbidas...
Mente demente
Que tenta em vão enganar
O que o coração realmente sente





Por: red foot e Thania Daise
Ilustração: linda tela da Galelli




terça-feira, 14 de agosto de 2007

uma flor que eu tirei...



Andei meio doente
Andei tendo pesadelos
Andei perdendo o sono
Andei perdendo sonhos
Andei jogado ao vento
Andei por um momento
Andei com frio
Andei lento
Andei
- Parei

Foto: Nikon FM-10 35-70mm Lens

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Aos reizinhos


Uma sucessão ininterrupta. O tempo. É fatalmente irreversível. O medo. É fatalmente humano. O tempo do medo não findou. Foram-se as causas, esquecidas. Foram, sem levar as conseqüências. O homem, mesmo assim, não findou. Porque o tempo não acaba, se é que existe. Ficaram. O homem do poder, que quer mais. E o homem da memória desconfigurada pelo “Nunca mais”.
Apenas homens abalados. Embalados pelo medo do tempo futuro. Empurrados pelo sofrimento do passado. Num presente, gritante, que carrega alguns, apenas alguns, homens conscientes do que ainda nos espera. Do que devemos esperar. E esperamos, sentados no sofá. Esperamos que os desesperançados também esperem. Pedimos paciência. Pedimos compaixão. Sentimos a miserável compaixão por nós mesmos, ao refletirmos a história do nosso tempo. Ficamos. Esperando...
Desconsolados? Sem amor? Não sei do mundo. Mas a mim resta a dúvida e a incerteza, que penso reger a humanidade. Somos desconhecidos. E desconhecemos, parados, por esperar. Sem amor? Não conhecemos o amor. Mas sonhamos. Desenvolvemos medidas pertinentes à vida. Sobrevivemos. Iludimos, iludidos. Mentimos. Mentem-nos. Metemos os pés pelas mãos. E corremos. Sem termos para onde ir. Fugimos para o nada, fugindo do medo. Fingindo arrependimento. Lavando as mãos. Sabendo, intimamente, das armas do mundo. Descrentes, porém, do poder já provado das armas dos homens.
Hiroshima. Nagasaki. Eu. Tu. Nós. Vós. Eles jamais esquecerão. Vós sabeis: Nós relembraremos. Tu também sabes: Eu tenho medo. Porque o homem também é uma sucessão ininterrupta. Corrupta. De uma inteligência inconseqüente. Atormentado pela ambição. Pelas engenhocas bélicas. Pelas pílulas do bem-estar. Pelas construções. Pelos aviões. Atormentados pelo orgulho da conquista. Orgulhosos da efêmera vivacidade de qualquer criatividade, disfarçadamente insana, das grandes organizações.
Somos modernos. Logo não nos preocuparemos mais com o medo. Será apenas uma síndrome do pânico – tratável. Porque o dinheiro compra uma consulta psiquiátrica. Porque somos máquinas e é só consertar. Porque somos tolos, e pensamos que qualquer lucro vale a pena se tiver alguém para admirar. Desculpa, mas não volta mais. Os erros são os mesmos. São naturais como os ciclos diários de transtornos bipolares de humor. Sobreviveremos! Dopados, talvez. Mas isso é apenas um detalhe...É apenas um “apesar” da modernidade.
Vai passar...Com o tempo, passa. E exato porque o tempo leva, que fica uma leva de lembranças e histórias para contar. Fica a necessidade do sonho. O resgate diário da poesia. As invenções para distrair. A ciência e a tecnologia para consertar, inventar mundos novos e descobrir algum lugar para invadir, quando não haverá nada mais para se fazer. Depois de um instante de tempo, que assegura a colação do erro, o medo toma o peito desesperado. Irreversível. Restando a criação de memoriais, de exposições, e pretextos para tocar nos assuntos de guerra, de políticas infelizes, de fome, de homens que sumiram e que jamais serão identificados. De homens que como o tempo, sequer deram a certeza de que existiram. E só. Fatalmente irreversível. Fatalmente humano.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Para O El Desdichado III


No espaço sideral, Na minha casa,
onde os delíquios acontecem, Desfalecem esperanças nunca vistas
sem aumentar o PIB da nação, Sem diminuir a fome
anuncio a boa nova, As novas normas do futuro

Perfurar uma parede, Acertar o coração
acontecer um naufrágio, Uma luta de classes falidas
que todos morrem, que todos desistem
e sobrevivemos alguns poetas, Vendemos nossos filhos e alguns pesadelos

Ter o que contar, Faltar o que beber
fazer acontecer, Mas não pagar pra ver
Pintar um sol de preto, Apagar todos os sonhos com a imensa borracha do MUNDO
pra que todos acordem finalmente, Para o grande fim da humanidade
O amarelo já causou muito tédio, O verde atiçou ambições...

Precisamos do terremoto para limpeza. A limpeza para a alegria.
A catástrofe que varra as ruas, E leve a imundice de nossas vidas
as mentes, os crentes
os corações, as falsas orações
a beleza de quem amo, O amor que sempre quis entender

Uma intimidade que toque, Que emocione
mais pra lá do longe, Mais, um distante a mais
muito mais que esse tanto partilhado – Errado.

O vulcão tomará palavras de minha boca, Que não beijará mais nenhuma outra
Descerá a melancolia, Para zombar da minha vida
e tudo terá um fim, Um começo ao contrário
para um novo início, Em algum calendário do século passado

Embora a tristeza, Sempre a mesma – Sem certezas
a revolução das letras assombram – Assustadas arregalam o olhar
gritam-me alucinadas. Alucinam-me. Fazem-me junto gritar:
Verso precisa ordenar! Eu preciso em versos contar!
Verso quer ser imperador! Eu preciso livrar quem eu amo da dor!


Volmir M. G. - .patrícia
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